A sociedade de custo marginal e o “fim” do capitalismo

O fim do capitalismo é uma idéia bastante recorrente. Basta pensar que o capitalismo teve seu fim profetizado desde que esse sistema foi caracterizado como tal no trabalho de Karl Marx. Originalmente, Marx previa que o Capitalismo cairia como um resultado direto do acirramento da luta de classes, pois as contradições desenvolvidas em seu sistema levariam fatalmente à sua destruição. Algo que, mesmo depois de sucessivas crises econômicas, ainda não se concretizou.

Não que a falha dessas previsões prejudiquem o mérito teórico ou analítico do trabalho de Marx. Pelo contrário, até nisso Marx se mostrou como um economista padrão: ótimo em suas análises, mas péssimo em suas previsões.

No entanto, mais de 150 anos depois, ainda surgem candidatos interessados em apontar quais seriam as causas que levariam à derrocada final do capitalismo. E não é difícil entender por quê, afinal é um tema bastante atraente no imaginário popular e que atrai muitos leitores. Um desses novos candidatos é Jeremy Riftkin, que lançou em 2014 o livro “Sociedade de Custo Marginal Zero”, em que afirma que no futuro todos os produtos serão de graça, exatamente como ocorre com vários softwares e jogos na Internet hoje em dia.

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Não vou mentir, a idéia de utilizar a tecnologia como um fator de superação do nosso atual modelo econômico é muito interessante, principalmente em uma época de rápida expansão tecnológica como a nossa, algo que já foi constatado por outros autores best sellers, como o jornalista Paul Mason.

O Físico Michio Kaku uma vez afirmou que “os verdadeiros revolucionários são os cientistas e pesquisados da Física Básica” e o avanço técnico apresentado pela criação da imprensa, por exemplo, talvez tenha sido um fator mais preponderante na superação do antigo sistema feudal pelo capitalismo do que as perturbações sociais que ocorreram posteriormente

A tese de Riftkin em si, no entanto, é bastante problemática economicamente falando, principalmente pelo modo como se apropria de maneira equivocada de determinados conceitos econômicos. O conceito de custo marginal, por exemplo, se refere ao custo adicional de se produzir mais uma mercadoria (N+1) em uma linha de produção, sendo normalmente utilizado como referência em modelos de otimização matemática para definir qual o ponto de produção ótimo para uma empresa.

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Sobre as origens medievais do Mestrado e Doutorado

Há não muito tempo conclui meu Mestrado em Economia. Uma experiência intensa, que foi ao mesmo tempo intelectualmente estimulante, me levando a abordar diversos temas sob um ponto de vista mais rigoroso e muitas vezes diverso do meu, mas também com uma forte carga dramática (e traumática).

Digo isso não apenas pelas matérias pesadas que fui obrigado a cursar e que me cobraram uma grande carga de conteúdo em pouco tempo ou pela cobrança de produzir uma dissertação ou monografia com todo o rigor científico exigido da área, mas principalmente pela exigência de expor esse trabalho para ser escrutinado por uma banca de especialistas da área.

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O que poucas pessoas sabem, no entanto, é que por trás dessa estrutura amplamente praticada em todo o mundo. que é a da banca de mestrado e doutorado existe uma história muito mais antiga, datada da época Medieval, que é a jornada do Aprendiz para virar um Mestre. E é sobre isso que esse artigo se trata.

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